Laboratório de Criação em Performance reúne participantes de diferentes trajetórias em Itacoatiara e segue para Presidente Figueiredo

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Divulgação

Itacoatiara recebeu, nos dias 18 e 19 de julho, a primeira etapa do Laboratório de Criação em Performance do projeto “Exercício de Abaporutação – Poéticas do Corpo, Encontro e Espaço”, realizado pelo Grupo Processo Natimorto. A iniciativa reuniu estudantes, artistas, professores e pessoas de diferentes áreas em uma experiência de criação coletiva voltada à investigação do corpo, do movimento e das possibilidades de expressão artística.

Durante dois dias de atividades, os participantes participaram de exercícios de experimentação e pesquisa conduzidos pelo diretor teatral, ator, pesquisador e arte-educador amazonense Dimas Mendonça. A programação foi encerrada com uma apresentação compartilhada aberta à comunidade, mostrando parte dos processos desenvolvidos ao longo do laboratório.

O encontro contou com a participação de pessoas com diferentes trajetórias, incluindo jovens de comunidades periféricas, estudantes, professores, artistas e profissionais interessados em conhecer novas formas de criação. Segundo Dimas Mendonça, a experiência em Itacoatiara revelou um ambiente marcado pela disposição dos participantes em aprender, experimentar e construir coletivamente.

“O que todos tinham em comum era uma enorme disposição para experimentar. A entrega, a curiosidade e a colaboração de cada participante fizeram com que o Exercício de Abaporutação se tornasse, de fato, um espaço de encontro e criação coletiva”, afirmou o coordenador.

A proposta do Grupo Processo Natimorto busca aproximar arte, território e experiências pessoais, partindo da ideia de que a criação artística nasce do encontro entre diferentes histórias e percepções. O laboratório não tem como objetivo apenas ensinar técnicas específicas, mas estimular a presença, a escuta e a descoberta de novas formas de expressão.

Durante as atividades, a própria cidade de Itacoatiara foi incorporada ao processo criativo. As ruas, praças, avenidas e características do município, incluindo o calor intenso da região, serviram como elementos de inspiração para as práticas desenvolvidas pelos participantes.

A realização da primeira etapa contou com o apoio da Fundação AMAGGI, por meio do Centro Cultural Velha Serpa (CCVS), parceiro da circulação do projeto. Para Jeaninne Tenório, analista de projetos da Fundação AMAGGI, ações como essa contribuem para fortalecer a formação cultural e ampliar o acesso da população a experiências artísticas.

Segundo ela, o laboratório criou um espaço de aprendizagem, experimentação e desenvolvimento de novas habilidades, permitindo que artistas, estudantes e interessados aprimorassem competências criativas, técnicas e críticas.

Entre os participantes, a diversidade de experiências foi um dos pontos de destaque. Para Digly Paiva, que participou da atividade buscando novos aprendizados na área teatral, o laboratório representou uma oportunidade de superar limites pessoais.

“Os exercícios de improvisação e expressão corporal me fizeram sair da zona de conforto e confiar mais em mim. Saio daqui com mais confiança, sensibilidade e respeito pelo processo de cada pessoa e a certeza de que a arte realmente transforma vidas”, relatou.

A turismóloga Thais Reis também participou da experiência e destacou a relação entre cultura, turismo e percepção corporal. Para ela, o laboratório ampliou sua visão sobre processos criativos e mostrou a importância da conexão entre corpo e mente.

“Acredito que o turismo está diretamente ligado à cultura, então participar do laboratório ampliou muito meu olhar. O que mais me marcou foi perceber como corpo e mente trabalham juntos durante o processo criativo”, afirmou.

A circulação do projeto conta com uma equipe formada por Dimas Mendonça, responsável pela coordenação e orientação das oficinas; Chico Kaboco, no apoio técnico e comunicação; e Adriano Rodrigues, na produção. Em cada município, produtores locais auxiliam na mobilização da comunidade, organização das inscrições e articulação com os espaços parceiros.

A próxima etapa do Laboratório de Criação em Performance acontece em Presidente Figueiredo, nos dias 25 e 26 de julho, no Centro Cultural Zé Amador. O espaço, localizado às margens da BR-174, reúne biblioteca comunitária, atividades culturais, orquidário e áreas de convivência.

A expectativa é reunir moradores, jovens e artistas interessados em participar de um processo de criação coletiva. Para Dimas Mendonça, cada cidade influencia de maneira diferente o desenvolvimento do laboratório.

“Cada cidade transforma o laboratório de uma maneira diferente. Em Presidente Figueiredo, vamos ocupar um espaço cultural que dialoga profundamente com a nossa pesquisa e esperamos fortalecer esse lugar como um ponto de encontro para a criação e para a formação de novos artistas”, destacou.

As oficinas são gratuitas, destinadas a pessoas com 16 anos ou mais, e não exigem experiência anterior em teatro, dança ou performance. O projeto foi contemplado pelo Edital de Fomento Cultural Multilinguagens (09/2025), da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC-AM), com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), do Governo Federal.

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